Quando uma rota precisa de avaliação mais profunda

Critérios para decidir quando dados de transporte existentes deixam de ser suficientes e a rota precisa de nova avaliação.

Uma avaliação feita no passado continua útil enquanto as condições que sustentaram aquela conclusão permanecem comparáveis.

Se a rota mudou, o veículo mudou ou o tempo de transporte aumentou, os dados antigos podem deixar de representar a operação atual.

Mudanças que merecem nova análise

Revise a rota quando houver alteração capaz de mudar a exposição do produto.

Alguns exemplos:

  • Novo destino
  • Distância maior
  • Mudança de modal
  • Novo tipo de veículo
  • Inclusão de hub
  • Nova transportadora
  • Aumento do tempo de trânsito
  • Alteração da embalagem térmica
  • Produto com outra faixa de conservação
  • Excursões recorrentes
  • Período climático mais severo

A existência de uma dessas mudanças não significa automaticamente que todo estudo precisa ser refeito. Ela indica que a empresa deve avaliar se os dados disponíveis ainda são suficientes.

Compare o cenário antigo com o atual

Antes de reutilizar um estudo, veja em que condições ele foi executado.

Uma rota acompanhada no inverno pode não representar o comportamento no verão. Uma entrega direta também não representa necessariamente uma rota que agora inclui transferência em hub.

Compare duração, trajeto, veículo, modal, pontos de parada, perfil de carga e condições climáticas.

Quando a diferença for relevante para o produto, documente a necessidade de novos dados.

Escolha piores casos com justificativa

A Anvisa admite abordagem baseada em risco para avaliação e monitoramento de rotas.

Isso permite selecionar rotas representativas, desde que a escolha tenha fundamento.

O pior caso pode estar ligado à maior duração, maior distância, temperatura externa mais severa, maior número de transferências ou menor previsibilidade do percurso.

Registre por que aquela rota foi escolhida e quais outras situações ela pretende representar.

Defina o que precisa ser acompanhado

Temperatura costuma ser o primeiro dado lembrado, mas não é o único possível.

Conforme o produto e o percurso, avalie também:

  • Umidade
  • Tempo total
  • Posição do sensor
  • Abertura de portas
  • Troca de veículo
  • Espera em hub
  • Integridade da embalagem
  • Ocorrências durante o transporte

O plano de monitoramento deve responder ao risco que foi identificado.

Use as excursões para revisar a própria rota

Uma excursão exige decisão sobre o produto envolvido, mas também produz informação sobre o processo de transporte.

Quando houver repetição, veja se o evento acontece no mesmo trecho, na mesma época do ano, durante uma parada específica ou com determinado veículo.

Esse histórico ajuda a decidir se é necessário alterar a rota, a embalagem, o monitoramento ou outro controle.

A frequência de monitoramento pode mudar

À medida que a empresa conhece melhor uma rota, a estratégia de monitoramento pode ser ajustada com base em risco.

A decisão precisa estar registrada e sustentada pelos dados disponíveis.

Rotas novas, variáveis ou com histórico de problemas tendem a exigir acompanhamento mais próximo do que rotas estáveis e bem conhecidas.

Registre também quando será preciso reavaliar

O relatório de uma rota deve indicar os limites da conclusão.

Além dos dados e do resultado, registre os eventos que exigem nova análise. Mudança de transportadora, de veículo, de embalagem, de modal ou de duração são exemplos possíveis.

Assim, a avaliação não fica válida por tempo indeterminado sem critério.

Fontes

  • ANVISA. Perguntas e Respostas — RDC 430/2020, seção de transporte e armazenagem em trânsito. Abrir documento
  • ANVISA. Guia nº 2, versão 2 — Qualificação de Transporte dos Produtos Biológicos. Abrir documento

Produtos e operações diferentes podem exigir estratégias distintas de qualificação e monitoramento.