Qualificação de transportadoras

O que avaliar antes de contratar e durante a reavaliação de uma transportadora que movimenta medicamentos.

Uma transportadora pode ter documentação regular e ainda não estar preparada para o serviço que a empresa pretende contratar.

A qualificação precisa olhar para a operação que será executada: que produto será transportado, em quais condições, por quais rotas e com que controles.

Descreva o serviço antes de avaliar o prestador

Comece registrando o que a transportadora fará.

Inclua:

  • Tipos de produto
  • Faixas de temperatura, quando aplicáveis
  • Regiões atendidas
  • Modais
  • Hubs e pontos de transferência
  • Possibilidade de cross-docking
  • Subcontratação
  • Tempo previsto de transporte
  • Necessidade de monitoramento
  • Devoluções
  • Tratamento de ocorrências

Sem esse recorte, a qualificação tende a virar uma lista genérica de documentos.

Confira a regularização aplicável

Verifique as autorizações e licenças necessárias para o serviço e compare o conteúdo desses documentos com a atividade contratada.

A análise deve considerar também o produto e a operação. Uma documentação válida não demonstra, por si só, que o prestador está preparado para uma rota com cadeia fria ou para uma operação com permanência em hub.

Abra os controles da transportadora

Dependendo do risco e do escopo, podem ser revisados:

  • Procedimentos
  • Treinamento
  • Manutenção e limpeza dos veículos
  • Calibração
  • Controle de temperatura
  • Tratamento de ocorrências
  • Desvios e CAPA
  • Segurança da carga
  • Subcontratados
  • Rastreabilidade
  • Comprovantes e registros de entrega

A profundidade da qualificação deve acompanhar o serviço contratado.

Veja como as rotas são conhecidas

Para produtos com requisitos de conservação, a transportadora precisa demonstrar como controla as condições do percurso.

A Anvisa cita fatores como duração, distância, clima, sazonalidade, modal e horário ao tratar de avaliação e monitoramento de rotas.

Durante a qualificação, verifique quais dados existem, como foram obtidos e quando uma rota passa por nova avaliação.

Pergunte onde a carga pode parar

Hubs, terminais e pontos de transferência fazem parte do percurso.

Se a carga permanece nesses locais, confira:

  • Por quanto tempo
  • Em qual ambiente
  • Como é identificada
  • Se há segregação
  • Se existe monitoramento quando necessário
  • Quem registra a entrada e a saída
  • Como uma ocorrência é comunicada

Esse ponto merece atenção especial em produtos com controle de temperatura.

Combine antes como uma ocorrência será tratada

Acidente, avaria, atraso ou excursão precisa chegar rapidamente a quem tomará a decisão sobre a carga.

O acordo com o prestador deve deixar claros os eventos que precisam ser comunicados, o canal de contato, as informações mínimas e a responsabilidade de cada parte.

Depois, verifique se os registros mostram que esse fluxo está funcionando.

Use o desempenho para reavaliar

A qualificação inicial não encerra o acompanhamento.

Ocorrências, excursões, reclamações, mudanças de rota, troca de estrutura, subcontratação e resultados de auditorias podem indicar necessidade de reavaliação.

A periodicidade e a profundidade devem considerar o risco da operação e o histórico do prestador.

Fontes

  • ANVISA. Perguntas e Respostas — RDC 430/2020. Abrir documento
  • ANVISA. Guia nº 2, versão 2 — Qualificação de Transporte dos Produtos Biológicos. O guia tem escopo específico para produtos biológicos e deve ser usado dentro desse limite. Abrir documento
  • ANVISA. POP-O-SNVS-033 — Condução de inspeção em distribuição, armazenagem, importação e transporte. Abrir documento

A documentação exigida e a profundidade da qualificação dependem do produto, do serviço e do risco da operação.